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Monografia: Aptidão Física de adolescentes da escoa estadual paraisense: o efeito da prática esportiva






     O exercício físico e a aptidão física em adolescentes têm se tornado objeto de estudo entre pesquisadores, com forte contribuição ao estudo do crescimento e desenvolvimento.

     A literatura tem dado um enfoque especial ao crescimento que envolve componentes da aptidão física, aqui identificados pelos componentes morfológicos e funcionais.

     Segundo ARAUJO e OLIVEIRA (2008) o ser humano vem se tornando cada vez menos dependente das suas capacidades físicas, uma vez que a modernidade reduziu ou extinguiu as atividades laborais e cotidianas de predominância física. Como consequência, os hábitos das pessoas tornaram-se menos ativos. Se por um lado a tecnologia aumenta os bens de consumo, por outro têm contribuído negativamente nos níveis aptidão física.

     A aptidão física é descrita como a capacidade de executar atividades físicas com energia e vigor sem excesso de fadiga e, também, como a demonstração de qualidades e capacidades físicas que conduzam ao menor risco de desenvolvimento de doenças e incapacidades funcionais.

     A importância do conhecimento dessa variável reflete-se no fato de que valores dos componentes morfológicos e funcionais da aptidão física em níveis elevados indicam maior exposição a riscos de várias doenças crônicas degenerativas, tais como: câncer, hipertensão, coronariopatias, diabetes, osteoporose e obesidade. No entanto, níveis aquém dos estimados tornam-se mais graves, quando associados a comportamentos de alto risco como dietas hipercalóricas e sedentarismo.

     A avaliação da aptidão física de escolares implica conhecer suas qualidades físicas e classificar os resultados obtidos diante de testes realizados. Considerando o curto espaço de tempo que marca esse período da vida, as variações da aptidão física associadas à maturação biológica são importantes, não dependem exclusivamente da idade cronológica. A velocidade com a qual os caracteres sexuais alcançam o estado adulto maduro (maturação biológica) faz a diferença entre adolescentes que apresentam a mesma idade cronológica.

      Com o intuito de preservar a saúde e o bem-estar da população infanto-juvenil e prevenir implicações do sedentarismo como fator de risco na gênese de uma série de doenças oriundas desse estilo de vida, além de aumentar a probabilidade de uma vida adulta salutar, vale destacar o posicionamento de Marques e Gaya (1999), de que a prática regular de atividade física é amplamente saudável aos mais jovens. Bergmann et al (2005) colocam que o aprimoramento da aptidão física relacionada à saúde capacita crianças e adolescentes a adotarem uma vida ativa, mesmo depois dos anos escolares, possibilitando a manutenção de um status de aptidão física desde o início até o fim da vida.

        Böhme vem falar que a aptidão física apresenta características individualizadas, de acordo com as necessidades próprias de atividades físicas de cada ser humano. Possui elementos qualitativos de acordo com o modo de vida, apresenta variações entre os indivíduos e também varia durante as diferentes fases da vida do próprio indivíduo, nas quais ele pode ser mais ou menos ativo. A aptidão física, considerada como produto resultante da atividade física (processo), deve ser desenvolvida durante todas as fases da vida do ser humano, com o objetivo de proporcionar-lhe um desempenho físico adequado nas suas atividades diárias. Tal fato pode evitar a antecipação do cansaço físico e contribuir para um bom estado de saúde.

     Diante da escassez de estudos locais de caráter abrangente e na perspectiva de contribuir para a produção do conhecimento acerca dos níveis de aptidão física dos escolares da cidade de São Sebastião do Paraíso, este estudo propôs investigar a aptidão física de adolescentes escolares e participantes das aulas de Educação Física e praticantes de modalidades esportivas extra-turno.

     Assim, buscou-se investigar as diferenças entre grupos praticantes e não praticantes de atividades esportivas extra-turno escolar, considerando que na adolescência ocorrem várias mudanças: físico-fisiológicas, psicológicas e comportamentais.

    

1. ATIVIDADE FÍSICA, EXERCÍCIO FÍSICO E APTIDÃO FÍSICA

 

     Para Caspersen (1985), Colantonio (1999) "atividade física, exercício físico e aptidão física são palavras muito utilizadas com o mesmo significado, porém apresentam conceitos diferentes.

     Atividade física tem como conceito "qualquer movimento do corpo produzido pelos músculos esqueléticos que tem um gasto energético muito grande em repouso".

     Exercício físico "é uma atividade física planejada, com estrutura e repetição tem por objetivo melhorar o desenvolvimento da aptidão física" (ARAUJO, 2008).

     Colantonio (1999) exercício físico é qualquer atividade física que aumenta ou mantém a aptidão física geral e de saúde e bem estar. Pode ser realizada por várias razões, incluindo o fortalecimento dos músculos e do sistema cardiovascular, aprimorando as habilidades, perda de peso ou manutenção e por prazer. Quando frequente o exercício físico estimula o sistema imunológico e ajuda a prevenir a "doenças da abundância", como doença cardíaca, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e obesidade. Ele também melhorar a saúde mental, ajuda a prevenir a depressão, ajuda para promover ou manter a auto-estima. A obesidade infantil é uma crescente preocupação e do exercício físico pode ajudar a diminuir os efeitos da obesidade na infância em países desenvolvidos.

      O exercício físico é importante para a manutenção da aptidão física e pode contribuir positivamente para a manutenção de um peso saudável, construção e manutenção da densidade óssea saudável, força muscular e mobilidade articular, promover o bem-estar fisiológico, reduzindo os riscos cirúrgicos, e fortalecer o sistema imunológico. O exercício também reduz os níveis de cortisol, que é um hormônio do estresse que constrói gordura na região abdominal, tornando difícil a perda de peso.

      Aptidão física é composta de dois conceitos: aptidão geral: estado desaúde e bem-estar; aptidão específica: tarefas baseadas em capacidades de realizar os aspectos específicos do esporte ou ocupação. 

     Aptidão física de uma forma geral são as capacidades e um estado de rendimento do ser humano, que estão associados com pequeno risco do desenvolvimento prematuro de doenças, que conseguida através de exercícios físicos, nutrição correta e um bom descanso. Com o aumento do tempo de lazer, das mudanças advindas da revolução industrial esse conceito pode ser insuficiente, pois a aptidão física é medida de o corpo funcionar de forma eficiente e eficaz nas atividades de lazer, um trabalho menos desgastante faz com gere uma resistência a doenças hipocinéticas em casos de emergências. 

     A aptidão física relacionada à saúde (AFRS) é de necessidade que todos os sistemas do corpo humano estejam funcionando muito bem para movimentar-se. Que a capacidade cardiorrespiratória, força muscular, resistência muscular, flexibilidade e os níveis de gordura corporal possam estar num mesmo nível e não causar complicações e adquirir doenças hipocinéticas ou crônico-degenerativas.

       Tabela 1: Componentes da Aptidão Física             

     Nessa fase da vida a educação física escolar é parte importante no desenvolvimento do individuo. A partir das aulas o aluno adquire força e resistência muscular, a sua velocidade aumenta e com exercícios de alongamento ele aumenta sua amplitude de movimento (flexibilidade) e baixa o acumulo de gordura corporal.

     Alguns levantamentos internacionais sobre aptidão física de adolescentes é preocupantes, os valores mostram que os níveis estão abaixo do normal e que não estão adequados para uma boa saúde.

     Em relação ao nível socioeconômico (NSE) a aptidão física esta sendo pouco documentada, principalmente no Brasil. Os escolares que moram em cidades de altos índices de desenvolvimento socioeconômico em ambos os sexos tem aptidão física boa do que em cidades de médio desenvolvimento.

     Estudos com adolescentes dinamarqueses não demonstrou diferenças entre o nível socioeconômico e o nível de aptidão física, porém em moças norte-americanas mostrou-se relação direta entre classes socioeconômicas menos favorecidas e o baixo nível de aptidão física (VASQUES et al., 2007).

     A aplicação de testes em escolares implica conhecer suas qualidades físicas e classificar os resultados, nos critérios estabelecidos e aceitos como referencias. As variações da aptidão física dependem muito da maturação biológica e idade cronológica, a velocidade do estado maduro tem diferença entre os adolescentes que tenham a mesma idade.

     Para preservar a saúde e o bem-estar dessa população, prevenir o sedentarismo que é o maior fator de risco de uma série de doenças desse estilo de vida. Para uma melhor qualidade de vida desses adolescentes os programas de Educação Física deveriam propiciar a eles um envolvimento equilibrado com os esportes e atividades individuais incluindo o envolvimento da família

 

2. CAPACIDADES FÍSICAS - CONCEITOS E APLICAÇÃO

      O que é e quais são as capacidades físicas?

      As capacidades físicas motoras condicionais a aptidão física são: força e resistência muscular, flexibilidade, e a composição corporal, também pode ser considerada a capacidade cardiorrespiratória. Pode se dizer que, as capacidades motoras condicionais – velocidade e força explosiva, assim como as capacidades coordenativas, – equilíbrio, agilidade, ritmo e outras, são considerados aspectos da aptidão física relacionados com: a) a aptidão motora; b) com as destrezas, segundo c) com as habilidades esportivas.

2.1. FLEXIBILIDADE

     Flexibilidade é a capacidade e as características de um indivíduo executar movimentos de grande amplitude, ou sob força externas, ou ainda que requeiram a movimentar de muitas articulações.

     Como Harre(1976) e Weineck (1999) a flexibilidade pode ser classificada em flexibilidade geral e específica, ativa e passiva e ainda estática. Para que haja uma boa flexibilidade é preciso ter um bom nível de desempenho do individuo. A flexibilidade tem por requisito (componente) elementar para uma boa execução de movimentos sob os aspectos qualitativos e quantitativos.

     Ao aumentar a flexibilidade, os exercícios poderão ser realizados com maior amplitude de movimentos, maior força, mais rapidamente, maior facilidade, fluência e eficácia. Na condução dos movimentos o profissional deve exigir coordenação e técnica correta, dinamizar um espaço e um tempo para haver capacidade de relaxamento e alongamento da musculatura. A flexibilidade é uma parte importante na expressão estética da força nos movimentos de parte do corpo ou do corpo todo.

     Dentro da educação física e no esporte a flexibilidade é tratada como mobilidade articular, extensão de movimentos nas articulações. Existem três formas para ampliar a flexibilidade: a) a forma das epífises articulares, especialmente suas superfícies cartilaginosas; b) a largura da cápsula articular e a disposição dos tendões; c) o comprimento, a capacidade de alongamento e o tônus dos músculos que passam sobre a articulação. Pesquisas recentes mostram que a flexibilidade é determinada pela capacidade dos músculos de inibir o sistema nervoso central, impedindo a realização do movimento de uma articulação (BARBANTI, 2001).

     O processo de aumentar a flexibilidade faz com que a pessoa alongue os músculos ou tendões, mas o sistema muscular que fica livre para as inibições. A flexibilidade é dada pelos receptores no sistema muscular que recebe informações do sistema nervoso central onde acontece o movimento. Os mais importantes são os fusos musculares (proprioceptores), eles dão a direção a força e a velocidade no movimento muscular, detectam o alongamento e a velocidade no comprimento dos músculos (BARBANTI, 2001).

     Em se tratando de tensões psíquicas dentro da flexibilidade, pode-se dizer que, quando há excesso dessas tensões seu efeito é negativo porque o individuo não consegue realizar o movimento de forma correta isso depende do seu estado de humor, como: alegria, disposição, atenção aguçada, etc. Num caso concreto a "vontade de vencer" faz com que um corredor ganhe uma corrida mesmo estando longe dos que estão a sua frente, de um modo é efeito do trabalho físico e rendimento da musculatura auxiliada pela amplitude de oscilação nas articulações (BARBANTI, 2001).

     A temperatura também influi na flexibilidade, nos dias mais frios a flexibilidade é menor, nesse caso em temperatura quente e melhor de se trabalhar a flexibilidade. Sendo que nas horas da manhã é mais desfavorável (ZACIORSKY e GROSSER, 1972 apud BARBANTI, 2001).

     Ainda observa-se que aquecimento causa elevação da temperatura muscular, a irrigação sanguínea localizada, condução de oxigênio para o músculo melhora seu funcionamento. E ainda o músculo torna-se mais elástico, alternância entre a contração e o relaxamento é mais rápido, além disso, a aquecimento prepara o sistema nervoso para carga que será aplicada, diminui e evita os perigos de lesões (fatos não comparados cientificamente).

     Pessoas que só alongam antes de uma atividade e não aquecem, faz um aquecimento parcial. Só que o alongamento não só resolve tudo. O certo seria que parte ter um bom proveito na atividade é fazer os dois.

2.2.     FORÇA MUSCULAR

     De acordo com Hernandez Jr (1998) "força é uma capacidade psicomotora onde o sistema motor, através de suas alavancas ósseas e respectivas musculaturas, contrapõe uma determinada resistência. Sendo dada pela capacidade de recrutamento de placas motoras necessárias ao esforço, pela amplitude e acesso aos sistemas energéticos envolvidos, pelas características cinesiológicas das alavancas envolvidas e pelo estado psicológico do executante".  

     Para BARBANTI (2001) força é a capacidade de exercer tensão muscular contra uma resistência, envolvendo fatores mecânicos e fisiológicos que determinam a força em algum movimento particular.

     Para GUEDES (1994) força é a capacidade de exercer tensão muscular contra uma resistência, superando, sustentando ou cedendo à mesma.

     A quantidade de força gerada pelos os músculos se relaciona com a velocidade do encurtamento muscular, o tamanho do músculo reagido por estímulos é determinado pelo tempo a partir de quando o músculo recebe o estímulo. Uma força máxima que o músculo consegue produzir vem da velocidade do encurtamento e do alongamento do músculo.

     A relação é verdadeira, mas somente para o músculo na sua ativação máxima nas ações musculares das atividades diárias. A produção da força vem da ação voluntaria dos músculos devidos da ativação neuromuscular, o seu treinamento envolve a resistência que capacita á geração de força.

     No corpo humano se avalia a força produzida por um determinado músculo, a força muscular é realizada com a mensuração do torque gerado por um grupo muscular inteiro em uma articulação.      

     Na adolescência, os músculos passam por um processo de crescimento, assim eles se tornam mais fortes em poucos anos. As diferenças nos padrões hormonais na adolescência podem contribuir para as diferenças sexuais no crescimento muscular. Essas diferenças são constatadas nos padrões do exercício ou atividade podem estar relacionados, por exemplo, os meninos têm muito mais força no braço, e em ambos a força é igual nas pernas (TANNER, HUGHES e WHITEHOUSE, 1981 apud BEE, 1996).

     No esporte força se refere ao movimento, é dividida em força interna que é produzida pelos músculos, ligamentos e tendões. Força externa ela age diretamente no corpo humano pela gravidade, atrito, resistência do ar, oposição exercida por adversário, ou peso quando o levantamos.

     Segundo Meusel (1969) e Barbanti (2001) de modo geral a força tem por característica humana com a qual se move uma massa (seu próprio corpo, ou programo esportivo) sua habilidade em dominar ou reagir a uma resistência pela ação muscular.

2.3. RESISTÊNCIA MUSCULAR

      A resistência muscular é a capacidade de um músculo ou grupo de músculos para sustentar contrações repetidas contra uma resistência por um período prolongado de tempo, sem perder a efetividade do movimento. A sua qualidade é determinada pelo sistema cardiorrespiratório, metabolismo, sistema nervoso, sistema orgânico, coordenação dos movimentos e componentes psíquicas (GROSSER, 1972 e BARBANTI, 2001).

     A resistência muscular não só é importante para o esporte, mas também no dia a dia. Quando a resistência é baixa, o cansaço ao realizar um exercício mais longo aumenta e o individuo não consegue chegar até o seu final. Para ter uma resistência maior é necessário o treinamento.  

2.4.     VELOCIDADE

     A velocidade é um dos principais requisitos motores, o qual permite tanto a movimentação quanto a assimilação de outras capacidades do condicionamento, duração e força – e também da coordenação (WEINECK, 1999 et al).

     Velocidade é a capacidade de – em razão da mobilidade do sistema neuromuscular e do potencial da musculatura para o desenvolvimento da força–condicionamento (FREY, 1993, WEINNEK, 1999).

     Velocidade, no entanto, capacidade de se movimentar (correr) velozmente ou realizar outras capacidades motoras (andar, sentar, saltar, etc.), com participação constante do SNC (sistema nervoso central). É necessária uma boa aptidão física na realização de atividades num menor tempo e com maior intensidade.

     A velocidade requer capacidade psíquica, cognitiva, coordenativa e condicionamento, fatores genéticos, do aprendizado, do desenvolvimento sensorial e neural, tendões, músculos e mobilização energética (características secundárias da velocidade motora). A velocidade depende de desempenho fica cada vez menor (aceleração).

     Através das alavancas do tronco e das articulações, fibras musculares e velocidade da contração dos músculos, a velocidade não exerce muita influência, pois cada ser humano tem seu ritmo próprio no desempenho de uma atividade.

     A excitação participa no processo para uma velocidade maior, os processos nervosos elevam uma freqüência máxima regulada pelo sistema neuromuscular (HARRE, 1975 e BARBANTI, 2001).

     Ao realizar um movimento a coordenação é muito importante, quanto mais coordenado for mais rápido será executado e gastará menos energia devido à elasticidade além do esperado.

     A velocidade é dependente da contração muscular, e os tipos de fibra que agem na atividade. Como as fibras Lentas (vermelhas) são inferiores, as fibras rápidas (brancas) por ter uma quantidade maior de fosfato creatina (CP) e a atividade das enzimas fosfóricas maior.

 

3. ADOLESCÊNCIA

3.1. CARACTERÍSTICAS GERAIS

     A adolescência (puberdade) é marcada por um período de transição, perda da infância para passagem à fase adulta. É nessa fase que acontece várias mudanças não só física como também psíquica e emocional. A mudança entre meninos e meninas tem características semelhantes, porém cada um a seu modo e tempo.

     Nos meninos o crescimento dos ossos e músculos é bem mais perceptível do que na infância, nas meninas tem diferença na força muscular nos primeiros anos da adolescência. Os meninos possuem os níveis mais elevados de testosterona e as meninas progridem no desenvolvimento púbere. As diferenças aparecem no final da adolescência.

     As meninas começam a puberdade mais cedo que os meninos devido ao estimulo do estrógeno que acelera o crescimento esquelético. O crescimento muscular vem antes do crescimento da estatura, enquanto a flexibilidade e a velocidade ocorrem antes. Parte da flexibilidade durante a puberdade e mantida na idade adulta, o mesmo ocorre com a força, pois depende de outros fatores incluindo a atividade física e aptidão. 

      Estudos recentes sugerem que a puberdade esta começando mais cedo nas crianças de hoje do que no passado, principalmente nos Estados Unidos, pelo fato das meninas terem o aumento das mamas e o desenvolvimento de pêlos pubianos aparecerem um ano antes em meninas brancas e dois anos antes em meninas afro-americanas (GALLAHUE e OZMUN, 2003).

     A adolescência em relação á FC (frequência cardíaca) mostra que os batimentos cardíaco dos meninos é mais lento (cerca de 3 a 5 bpm) que nas meninas. Ao final da adolescência a freqüência cardíaca de repouso dos meninos de 57 a 60 batimentos por minuto, e a das meninas 62 a 63 batimentos por minuto (MALINA e BOUCHARD, 1991, GALLAHUE e OZMUN, 2003).

     Avaliando a maturidade identifica-se que esse é um ponto que mostra como o indivíduo progride em direção a maturidade física. Várias avaliações como: esquelética, circumpúbere e dentárias medem o progresso das partes do corpo em direção a maturidade.

     Araújo e Oliveira (2008) apresentaram argumentos convincentes para incluir a avaliação padronizada de maturidade no exame físico de pré-participação a que todos os jovens deveriam submeter-se antes de praticar esportes. Eles afirmam que avaliações de maturidade podem ser empregadas na preparação de adolescentes para esportes de contato e na determinação de período em que os jovens passam por surto de crescimento.

     Adolescência inicial não é muito diferente dos primeiros anos da infância. As crianças de dois anos têm como característica principal o negativismo e impulso pela independência. Ambos lutam para aprender uma quantidade de novas habilidades, os adolescentes demonstram essas habilidades de forma abstrata. Ainda pode-se notar que há aumento no índice de depressão e queda na auto-estima, por causa das novas exigências e mudanças.

     Comparando crianças de dois anos e adolescentes vemos que eles usam os familiares para se sentirem seguros e explorar o mundo. Mas os pais precisam encontrar um equilíbrio entre proporcionar a segurança necessária em forma de regras e limites, e ao mesmo tempo permitir a independência.

     Pode-se estabelecer um paralelo entre adolescentes e crianças no seguinte aspecto: ambos enfrentam a tarefa de estabelecer uma identidade separada. Crianças precisam se separar do relacionamento simbiótico com a mãe ou responsáveis. A maturação física permite explorar novos níveis de independência. Já os adolescentes precisam separar da família, da sua identidade de criança e começar estabelecer sua identidade de adulto.

 

3.2. TRANSIÇÃO DA INFÂNCIA PARA A ADOLESCÊNCIA: CARACTERÍSTICAS, DESENVOLVIMENTO, DIFERENCIAÇÃO E APTIDÃO FÍSICA

      Com a chegada na adolescência, em consequência do desenvolvimento cognitivo e do pensamento característico das operações formais, existem novas possibilidades oferecidas pela capacidade de abstração. As autodescrições concretas, centradas em aspectos comportamentais e externos, características das crianças, são substituídas, na adolescência, por auto-descrições mais abstratas e centradas em aspectos internos e psicológicos dos comportamentos (Harter, 1983, 1993, 1999).

      Ora, se esta passagem do concreto e observável para o abstrato, não observável e hipotético é considerada um avanço em termos cognitivos, também pode representar, tal como todos os aspectos do desenvolvimento do indivíduo, pois o mais desenvolvido traz consigo o não observável, o abstrato, logo, as auto-descrições estão mais sujeitas, na adolescência, a distorções cognitivas, o que pode implicar que o auto-conceito do adolescente se possa tornar mais irrealista e, até, conduzir a comportamentos desajustados (Harter,1993).

      Nesse caso temos adolescentes que devido própria avaliação das suas reais competências, aceitam tarefas demasiado exigentes, para as quais não têm competências ou preparação, conduzindo ao fracasso, ou, pelo contrário, evitam o desafio porque este pode pôr em causa uma capacidade irrealista e frágil dos níveis de aptidão física.

      O desenvolvimento da aptidão física está relacionado com uma série de fatores dos contextos de vida do adolescente: (1) o feedback dos outros significativos acerca da competência pessoal, como por exemplo, a opinião dos pares, a que os adolescentes são particularmente sensíveis, e a dos pais; (2) a comparação com os outros; e (3) a pressão do contexto escolar ou do desportivo, que se tornam progressivamente mais exigentes, normativos e competitivos.

      É possível dizer que o contexto escolar e o desportivo reforçam progressivamente o recurso à comparação social, ao feedback normativo e avaliativo, centrado na realização, tornando-se estes contextos cada vez mais formais e estruturados (Fontaine & Faria, 1989; Stipek, 1984). Por sua vez, o adolescente ao incorporar nas descrições de si próprio a opinião dos outros, pode distorcer essas opiniões, sobretudo quando entram em conflito e interfere na aptidão física (Harter, 1993).

      A par do desenvolvimento da aptidão física, da infância até adolescência, também ocorre a sua diferenciação, pois à medida que os sujeitos crescem, abandonam as categorias indiferenciadas e gerais que utilizam para se descrever e avaliar, progressivamente, categorias diferenciadas e específicas, centradas em múltiplos domínios da sua existência, que compreende a aparência física e a competência ou habilidade físico-desportiva (Marsh, 1989).

      Deste modo, a diferenciação da aptidão física, característica da adolescência, exige integração, organização e estruturação, para que o adolescente possa construir um alto nível da aptidão física consistente ao longo das várias situações de vida e no desempenho dos diferentes papéis sociais, que por vezes o levam a questionar-se acerca de qual será o seu verdadeiro potencial (Harter, 1993), o adolescente necessita de fazer a respectiva integração num todo coerente e organizado, internamente consistente, que podemos definir e designar como a tarefa de construção de uma teoria pessoal acerca do desempenho físico (Epstein, 1973).

      Pelas hipóteses acerca de si próprias, na procura do "verdadeiro eu", pela capacidade de se observar e auto-avaliar, bem como pela tomada de perspectiva social, que torna possível perceber a posição dos outros acerca de si mesmo (Kolligian, 1990): ou seja, o adolescente é levado a considerar as suas experiências como únicas e diferentes, na procura da separação e das fronteiras entre o desempenho e os outros, preocupando-se consigo e com as suas vivências, encontrando assim os aspectos de si próprio susceptíveis de evolução e desenvolvimento (Harter, 1993).

 

3.3. CONTRIBUTOS DA ATIVIDADE FÍSICA PARA AUMENTO DA APTIDÃO FÍSICA

 

      A prática regular de atividade física contribui para a melhorar da aptidão física em várias dimensões, muito particularmente na dimensão física, conduzindo a uma melhoria da imagem corporal e da auto-estima física, bem como a um maior ajustamento e adaptação aos contextos de vida (Falsom-Meek, 1991; Marsh, 1993; Melnick & Moorkerjee, 1991; Mota & Cruz, 1998).

      O caráter imediato da prática de atividade física, a aceitação social e a mistura de desafio, relaxamento, cooperação e construção que a mesma envolve, contribuem para a melhoria do bem-estar físico e psicológico, aumentando a possibilidade de experimentar sucessos e de aprender a lidar com os fracassos, aprofundando o conhecimento acerca de si mesmo, das suas potencialidades e dos seus limites (Faria & Silva, 2000).

      Assim, a melhoria da aptidão física, proporcionada pela prática de atividade física, pode contribuir para a mudança pessoal em dimensões físicas e sociais, bem como na auto-estima global, para além de promover explicações mais adaptativas para os fracassos (a fatores externos) e para os sucessos (a fatores internos) nos domínios físicos (Marsh & Jackson, 1986), facilitando a concretização de objetivos e a persistência nestes domínios.

      Várias investigações, que relacionam a prática de exercício físico com os níveis de aptidão física, demonstram que os praticantes habituais evidenciam níveis mais elevados de auto-conceito físico, quando comparados com os praticantes iniciantes e os não praticantes.

      Neste sentido, um estudo conduzido, com o objetivo de comparar os níveis de aptidão física, nas dimensões de competência desportiva, aparência física e auto-imagem corporal, das jovens, com idade de 10 aos 17 anos, em função do tempo de prática (nula, média e intensa) de exercício físico, mais especificamente de ginástica desporto coletivo ou individual, evidenciou percepções de competência desportiva, aparência física e auto-imagem corporal mais elevadas nas praticantes intensivas (há mais de 4 anos) do que nas iniciantes e não praticantes. Ou seja, o aumento de tempo na prática de exercício físico parece 365 proporcionar melhoria da aptidão física percebida e um conhecimento mais aprofundado das respectivas capacidades e limites, e padrões de vida mais saudavam e maior satisfação com a imagem do seu corpo, cuja análise se torna mais flexível e adequada (Faria & Silva, 2000; Silva, 1998).

      Por sua vez, outros estudos, longitudinais, com uma amostra de 60 mulheres jovens, praticantes iniciantes (até ano e meio) de ginástica de academia, das quais 30 foram avaliadas pela segunda vez, após um período de tempo de 5 meses, durante o qual praticaram ginástica de forma regular (três vezes por semana, durante 50 minutos), evidenciou evoluções positivas em todas as dimensões do auto-conceito, nomeadamente na dimensão física (Faria & Silva, 2001).

      Deste modo, quer os nossos resultados, quer os de outros estudos em contextos culturais diferentes, permitem afirmar que a prática regular de exercício físico contribui para o desenvolvimento da aptidão física, abrindo perspectivas frutuosas de intervenção neste domínio (Faria & Silva, 2000, 2001).

3.4. HABILIDADES MOTORAS ESPECIALIZADAS

     As crianças alcançam um estágio maduro através de um padrão motor fundamental, acontecem poucas alterações na "forma" daquela habilidade motora na fase motora especializada. No entanto, o desempenho melhora, baseando nas crescentes das habilidades físicas, pode ser observadas ano a ano. Quanto mais o adolescente melhora a força, resistência, tempo de reação, velocidade de movimento, coordenação assim por diante, esperamos observar os níveis de desempenho cada vez melhores.

     É natural concluir que há ligação entre o movimento habilidoso e os níveis de atividade física. Foi documentado que há um declínio na atividade vigorosa entre meninos e meninas a partir de 12 anos. Uma parte desse declínio é divida a falta de programas de educação física, de qualidade. Relatórios indicam que somente19% dos iniciantes do Ensino Médio estão fisicamente ativos por 20 minutos ou mais, cinco dias por semana, nas aulas de educação física.

3.5. FORÇA E RESISTÊNCIA MUSCULAR NA ADOLESCÊNCIA

     Muitos estudos de campo mostram que meninos e meninas de 6 a 9 anos de idade, indicam que os níveis do desempenho no teste de força abdominal são similares. Já a partir dos 10 anos em diante os meninos melhoram seu ritmo do que as meninas, sendo muito mais rápido, esse se mantêm até os 16 anos. Até os 18 anos a tendência e se estabilizar e regredir ligeiramente. Contudo para meninas e meninos os picos de força ocorrem com maior freqüência anos após as velocidades de pico de altura e de peso, embora haja variações individuais entre as meninas.

     Medidas de força e de resistência da parte superior do tronco aumentam em ritmo quase linear para meninos aproximadamente aos 12 anos (idade que inicia a puberdade masculina) até os 18 anos. Essas medidas no corpo das meninas são diferentes, com sãs bastante fracas nessa área (parte superior do tronco) na infância e adolescência.

     Se tratando de resistência/força abdominais adolescentes mais velhas tendem a ter um nível levemente superior ao nível das adolescentes mais jovens. A força aumenta seguindo uma curva de crescimento, geralmente se encontra dimensões corporais externas, incluindo a altura. Nos meninos há um surto evidente de força acontece de três meses a um ano da velocidade do pico da altura. 

3.6. FLEXIBILIDADE NA ADOLESCÊNCIA

     O teste de sentar-e-alcançar tornaram-se mensuração de teste padrão de flexibilidade de articulações. Dados do NCYFS indicam que em média as meninas obtêm melhoras lineares nos níveis dessa medida dos 10 aos 16 anos, seguido de um leve declínio. Elas em todas as idades superam o desempenho dos meninos em flexibilidade. Essas diferenças podem variar de acordo com as variações socioculturais, padrões de atividades que favorecem a flexibilidade de articulações em meninas.  Em estudo com milhares de crianças de 6 a 9 anos, (Ross e Pate 1987, Gallahue e Ozmun, 2003) através do teste de sentar e alcançar, chegaram a resultados que favoreceram as meninas. Elas tenderam a ser mais flexíveis do que os meninos em todas as idades testadas. Em seus resultados observou-se pouca melhora das meninas com a idade, porém, nenhuma regrediu. Contudo, os meninos foram, na média, menos flexíveis na idade de 9 anos do eram na idade de 6 anos.

     As informações no que se refere a relação entre idade e flexibilidade são divergentes durante os anos de crescimento. Isso acontece porque os estudos, muitas vezes, concentram-se em articulações específicas ou em populações específicas envolvidas em várias disciplinas do esporte.

     A flexibilidade é específica das articulações e pode ser melhorada com a prática. Gallahue e Ozmun (2003) indicaram, contudo, que a flexibilidade dinâmica nos ombros, joelhos e articulações da coxa diminui com a idade, em crianças, conforme ficou evidenciado na pesquisa com meninas de 6, 9 e 12 anos de idade. Essa pesquisa revelou que a flexibilidade estática aumentava com a idade.

     Clarke (1975), Gallahue e Ozmun (2003) reavaliaram a pesquisa sobre a flexibilidade e concluiu que ela começa a declinar em meninos por volta dos 10 anos e, em meninas, por volta dos 12 anos. Confirmando estes resultados no estudo Leighton (1956), Gallahue e Ozmun (2003) os meninos não demonstraram nenhum padrão consistente de aumento ou de manutenção de flexibilidade com a idade e sim uma tendência definida em diminuir a flexibilidade com a idade.

3.7. VELOCIDADE NA ADOLESCÊNCIA

     A velocidade na adolescência tende estudar as diferentes distancias e conversões do tempo de corrida rápida (tiros) de 30 a 60 jardas (27,4m - 54, 8m). Lunardi (2007) relata que estudos utilizam um ponto de partida estacionário, os resultados das comparações levaram a conclusão: existe melhora sistemática na velocidade de crianças no período médio e no final dos anos da infância. A melhora da velocidade de corrida para os meninos continua na adolescência. Para as meninas a velocidade aumenta idade de 15 anos, quando parece estabilizar-se. As razões para essa estabilização das meninas adolescentes são explicadas pela maturação precoce e os níveis inferiores de motivação pessoal que amadurecem mais tarde.

3.8. ADOLESCÊNCIA E DESEMPENHO MOTOR

     O desempenho motor na infância e na adolescência esta associado ao crescimento e a maturação. Esses fatores podem influenciar na formação esportiva. Em algumas situações da pratica esportiva, encontra-se vários jovens nos diferentes estágios maturacionais, num mesmo grupo de treinamento ou categoria competitiva que pode ajudar os mais adiantados, ou desmotiva outros tardios.

     O crescimento morfológico e a precocidade proporcionam vantagens importantes para o esporte, mas as implicações da maturação para medir o desempenho motor, a potência muscular e a agilidade têm como características fundamentais no esporte que exigem uma maior aceleração e mudanças rápidas na direção (RÉ et al, 2005).

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