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Treinamento Funcional em Idosos







O envelhecimento pode ser definido como um processo dinâmico e progressivo, que gera alterações morfológicas, funcionais e bioquímicas. Muitos gerontólogos acreditam que essas alterações são atribuídas ao estilo de vida sedentário e esses fatores podem levar a diminuição de força, potência e equilíbrio resultando em provável diminuição da qualidade de vida dos idosos.

A força muscular é uma das mais importantes valências físicas e pode ser definida como o estado de ser forte, a capacidade de um músculo produzir tensão ativa ou a capacidade que certo grupo muscular consegue exercer contra uma determinada resistência ou um esforço máximo.

A diminuição da força em idosos ocorre principalmente pela perda de massa muscular que é um fenômeno denominado sarcopenia. Define-se esse, como um decréscimo da capacidade neuromuscular que ocorre com o envelhecimento levando também a alterações no nível metabólico basal e da atividade muscular. Esta perda acontece em duas fases: uma mais lenta, entre 25 e 50 anos com decréscimo em torno de 10% e uma mais rápida, entre os 50 e 80 anos com decréscimo em torno de 40%.

Analisando a estrutura muscular do idoso, observamos que ocorre um declínio tanto de fibras do tipo 1 (tônicas), quanto do tipo 2 (fásicas) bem como um aumento da gordura intramuscular e tecido conjuntivo resultando em uma diminuição das propriedades contráteis dos músculos.

A diminuição da potência esta diretamente relacionada a alterações indefinidas do SNC, como: retardo na velocidade de condução das fibras nervosas motoras; transmissão retardada da junção neuromuscular; diminuição no número ou na área transversal relativa das fibras tipo II; alterações no retículo sarcoplasmático e do metabolismo do cálcio dentro das fibras; alterações na composição de miosina das diferentes fibras; aumento do tecido não contrátil gerando uma maior resistência.

O equilíbrio é definido como uma resposta do sistema nervoso central ao detectar tanto antecipadamente, quanto momentaneamente a instabilidade além de ser capaz de gerar uma reposta que leve o corpo de volta para uma base de suporte (centro de gravidade), evitando a queda.

 O desequilíbrio é um dos principais fatores que limitam o idoso a realizar suas atividades funcionais corretamente. Entre 65 e 75 anos de idade, cerca de 30% dos idosos apresentam sintomas desta alteração sensorial e essa mesma porcentagem revela que pelo menos uma vez por ano ocorrem quedas nessa população, e quanto maior a idade maior será o risco.

O equilíbrio pode ser avaliado de várias formas, uma maneira prática é através de testes, como a escala de Avaliação da Mobilidade Orientada pelo Desempenho (POMA), utilizada para avaliar e quantificar a habilidade do equilíbrio funcional, bem como acompanhar o progresso de pacientes com déficit de equilíbrio.

A força muscular, a potência e o equilíbrio como foi relatado, sofrem alterações importantes com o passar dos anos, o que vem a gerar incapacidades funcionais, diminuindo significativamente a qualidade de vida do idoso. Com isso uma das alternativas para maximizar estas variáveis é a utilização do Treinamento Funcional (TF).

O Treinamento Funcional é um novo conceito, na qual é explorada a utilização do próprio corpo e de recursos que estimulem a propriocepção, a força e a resistência muscular bem como a flexibilidade, coordenação motora, equilíbrio e o condicionamento cardiovascular. Neste conceito, são utilizados exercícios que se aproximam da atividade física ou diária do indivíduo.

O Treinamento Funcional está fundamentado em duas diretrizes, que são: o respeito à individualidade biológica que é o primeiro passo para a prescrição de um programa de exercícios seguros e coerentes e ao princípio da especificidade do treinamento, na qual as adaptações que ocorrem no corpo humano, decorrente dos estímulos proporcionados pelo exercício, são específicas daquele determinado programa de treinamento.

A abordagem do paciente que será submetido ao Treinamento Funcional deverá ser extremamente cautelosa, pois o indivíduo deverá interagir com as informações que irá receber. Para isso, o profissional utilizará a fala como voz de comando, a demonstração do movimento e o toque para que o paciente entenda o exercício e perceba a importância de se realizar corretamente.

Os exercícios usados no Treinamento Funcional podem ser progredidos da seguinte forma: de baixa velocidade para alta; posturas estáticas para dinâmicas; de menor intensidade para maior intensidade; movimentos controlados e conscientes para movimentos inconscientes e sem controle; de olhos abertos para fechados; movimentos bilaterais para unilaterais; movimentos simples para complexos; exercícios que exigem pouca coordenação para exercícios complexos; movimentos estáveis para movimentos instáveis; movimentos em um plano para movimentos em vários planos.



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