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O professor de Educação Física e o estresse profissional

Os profissionais da educação são constantemente confrontados com situações de estresse. Talvez um dos profissionais da educação que, para a sociedade, teria menos possibilidades de apresentar um quadro de estresse seria o professor de Educação Física devido às características que envolvem a prática de atividades físicas comprovadamente geradoras de prazer, alegria, satisfação. Porém, estudos indicam que mesmo assim profissionais experimentam o estresse profissional. Santini e Molina Neto (2005) em estudo realizado na rede municipal de Ensino na cidade de Porto Alegre, destacam que “aspectos individuais associados às condições e relações do trabalho podem propiciar o aparecimento de fatores multidimensionais que, dependendo do grau e severidade, podem levar os professores a experimentar a Síndrome do Esgotamento Profissional” (SEP). A SEP diferencia-se do estresse por não desaparecer depois de certo período de descanso, já o estresse sim.

A partir das afirmações acima e partindo do pressuposto que o professor de Educação, assim, como os demais profissionais que atuam em escolas, apresentam sintomas de estresse, é possível formular questões como: o estresse está presente no cotidiano de trabalho do professor de Educação de Educação Física? O professor está preparado para enfrentar situações estressoras decorrentes de sua atividade profissional? Como ele lida com as situações de stresse? Que tipos de implicações o estresse do professor têm em seu ambiente profissional? Estas implicações podem ter reflexos no relacionamento familiar? Com isso investigou-se estas e outras questões que refletem a realidade de trabalho do professor de Educação Física e os problemas relacionados com a profissão.

Especificamente em relação ao professor de Educação Física, cujas atividades diferem em sua natureza das demais disciplinas, padece dos problemas enfrentados pelos docentes como um todo e, além disso, há, ainda, outros fatores que podem estar contribuindo com seu estresse. Em vista disso foi realizada pesquisa com professores de Educação Física da rede pública e particular de ensino da cidade de Sarandi/RS com o objetivo de verificar se estes profissionais apresentam características de estresse profissional, os possíveis determinantes e a forma como lidam com esta situação.

Há várias definições para o estresse. Anjos e Ferreira (2004), o caracterizam como um conjunto de reações do organismo a agressões de origens diversas, capazes de perturbar o equilíbrio interno. Lipp (2010) o define como “uma reação do organismo com componentes psicológicos, físicos, mentais e hormonais. Ele ocorre quando surge a necessidade de uma grande adaptação a um evento ou uma situação de importância.” Ballone e Moura (2010a) dão outro nome para o Estresse: Síndrome Geral da Adaptação.

Lipp (2010) explica que o estresse é benéfico quando de forma moderada, pois na tensão o organismo produz a substância adrenalina, que é responsável pelas sensações de ânimo, vigor, entusiasmo e energia, é a fase da produtividade. A autora classifica-o, ainda, em negativo e ideal:

Stress negativo: é o stress em excesso. Ocorre quando a pessoa ultrapassa seus limites e esgota sua capacidade de adaptação. O organismo fica destituído de nutrientes e a energia mental fica reduzida. A produtividade e a capacidade de trabalho ficam muito prejudicadas. A qualidade de vida sofre danos. Posteriormente, a pessoa pode vir a adoecer. [...] Stress ideal: é quando a pessoa aprende o manejo do stress e gerencia a “fase de alerta” de modo eficiente, alternando entre estar em alerta e sair de alerta.

Segundo a Associação Brasileira de Stress (ABS), qualquer situação geradora de um estado emocional forte que leve a uma quebra da homeostase interna e exija alguma adaptação pode ser chamada de um estressor. Ballone e Moura (2010a) classificam possíveis estímulos estressores em internos e externos. “Os estímulos internos são oriundos dos conflitos pessoais os quais, em última instância, refletem sempre tonalidade afetiva de cada um. Os estímulos externos, por sua vez, representam as ameaças concretas do cotidiano de cada um.”

Os autores Meleiro (2003) e Ballone e Moura (2010b) afirmam que não se pode, contudo, afirmar que determinado fato é ou não estressor, ou se é mais intenso ou mais fraco, pois depende da visão que cada indivíduo tem da realidade e a forma com que lida com a mesma. A própria autoestima interfere no aumento ou diminuição do estresse. Deve-se levar em conta a predisposição genética, idade, sexo e personalidade do indivíduo.

O termo “burnout” também é muito usado para definir esse mal que atinge os profissionais. Malagris (2003) considera o burnout (“consumir-se em chamas”) como “um tipo especial de stress ocupacional que se caracteriza por profundo sentimento de frustração e exaustão em relação ao trabalho desempenhado, sentimento que aos poucos pode estender-se a todas as áreas da vida de uma pessoa.”

É importante frisar que as síndromes citadas acima são derivadas do estresse crônico, ou seja, o estresse pode desaparecer depois de certo período, porém se não for tratado e persistir poderá evoluir para problemas mais graves.

Na categoria docente não é diferente. Estudos demonstram diversos fatores que contribuem para o estresse do professor. Primeiramente a mudança do seu papel, sendo que a família e a sociedade transferiram alguns de seus papéis sociais para o mesmo. O professor tem que ser amigo, conselheiro, pai/mãe, achar soluções para conflitos entre pais e filhos, etc, Esteve (1999). Meleiro (2003), Campos e Ito (2009) citam o grande número de alunos por classe; temperaturas inadequadas no local de trabalho (na sala ou ao ar livre); iluminação inadequada; barulho interno intenso; falta de tempo para formular as aulas fazendo com que o tempo de descanso sirva para tal; certa hostilidade dos colegas em relação àquele que se destaca entre os alunos; alunos sob o efeito de drogas; rebeldia e desrespeito dos alunos; insatisfação e falta de perspectiva de crescimento profissional; falta de incentivo financeiro inibindo iniciativas criativas; falta de preparo para trabalhar com crianças com deficiências; entre outros. Ainda, ser propenso ou não ao estresse é um fator importante.

A Profissão de Educação Física é regulamentada pela Lei Federal nº 9696/98 e regida pelo Conselho Federal de Educação Física (CONFEF) e Conselho Regional de Educação Física (CREF). Segundo o CONFEF na escola o Professor de Educação Física atua na promoção da saúde, assim como na construção de cidadania, hábitos saudáveis e desenvolvimento da concentração, disciplina, espírito de equipe, dedicação, entre outros.

Em uma pesquisa realizada na cidade de Porto Alegre com professores de Educação Física da Rede Municipal de Ensino, sobre o abandono do trabalho docente, Santini e Molina Neto (2005) citam alguns dos fatores que levaram os profissionais da área entrar num quadro crítico de estresse a ponto de desistirem da profissão: a escolha pouco acertada da profissão; limitações da formação acadêmica; condições de trabalho do professor de Educação Física (clima desfavorável, ambiente inadequado, baixos salários, etc.); sobrecarga de trabalho; multiplicidade de papéis; a estrutura das escolas; a Educação Física com “aula-pública”; fatores sociais (violência, medo e insegurança); desgaste nas relações interpessoais, entre outros. As consequências destes fatores geraram absenteísmo (ESTEVE,1999), pedidos de transferências de escola, perda de vínculo afetivo, etc.

Em outra pesquisa Moreira et al. (2010) analisou a incidência da Síndrome de Burnout em professores de Educação Física e sua possível influência na prática pedagógica da Rede Municipal de Ensino de São José (SC): “Os participantes do estudo destacaram dentre os fatores mais negativos no ambiente escolar, a falta de recursos pedagógicos, a estrutura/espaço físico inadequada, barulho, falta de compromisso do aluno/família, direção não atuante e péssima acústica.”

Por outro lado, Valério, Amorim e Moser (2009) com o objetivo de comparar a incidência da Síndrome de Burnout entre professores de Educação Física e professores de outras disciplinas, constataram em sua pesquisa que “os professores de Educação Física apresentam menor incidência da Síndrome de Burnout do que os de outras disciplinas, tal diferença provavelmente possa estar relacionada aos diferentes ambientes de trabalho e a maior realização de atividade física.”

Apesar de os estudos na área do estresse profissional em professores estar em alta, observou-se a necessidade de dar continuidade e aprofundamento ao tema, principalmente na área da Educação Física.

2. Procedimentos de coleta dos dados

A pesquisa foi realizada através de entrevista semiestruturada realizada com 10 Professores de Educação Física da rede pública e particular de ensino do município de Sarandi/RS, com pelo menos um ano de efetivo exercício de sua profissão em escolas. Os profissionais foram contatados e convidados a contribuir com a pesquisa para então receberam e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. A seguir, foi agendada a entrevista em horário que não comprometesse o trabalho na escola, em local reservado e sem a interferência de fatores que pudessem desfavorecer a reflexão sobre o tema em questão. A entrevista foi gravada com o consentimento dos participantes e, após, incinerada ou deletada. A entrevista compôs-se de questões relacionadas com o trabalho, obstáculos enfrentados, a maneira como o professor lida com estes.

Para a realização da pesquisa, foram observadas as orientações do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Passo Fundo (UPF), sendo aprovada sob Parecer nº 308/2010 e CAAE nº 0175.0.398.000-10 em 24 de setembro de 2010. Após iniciou-se a coleta e análise dos dados.

3. Análise dos dados

3.1. Principais fatores causadores do estresse

Na pesquisa realizada todos os 10 professores entrevistados admitiram a existência de fatores que interferem na realização do seu trabalho de forma ideal. Destes, 8 afirmaram que esses fatores lhe causam estresse e interferem no seu trabalho e vida pessoal de alguma forma.

A pesquisa confirmou alguns fatores que Moreira et al. 2010 e Santini e Molina Neto (2005) citaram em seus trabalhos como a falta de recursos pedagógicos, a estrutura/espaço físico inadequada, falta de compromisso do aluno/família, sobrecarga de trabalho; multiplicidade de papéis; já Meleiro (2003), Campos e Ito (2009) citam o grande número de alunos por classe; falta de tempo para formular as aulas fazendo com que o tempo de descanso sirva para tal; rebeldia e desrespeito dos alunos; sendo que este último fator foi o mais citado nesta pesquisa. A pesquisa revelou que os principais agentes causadores do estresse caracterizam-se como externos, ou seja, representam as ameaças concretas do dia-a-dia.

O fato das atitudes negativas dos alunos (agressividade, falta de controle emocional, falta de respeito...) estarem em primeiro lugar na pesquisa dos fatores, parece justificar-se pelo fato de uma sociedade carente de valores como o respeito, (queixa comum entre os entrevistados) refletir-se nas escolas, pois os pais ou cuidadores dessas crianças, no pouco tempo em que convivem, apresentam dificuldades para identificar os limites entre o que é ou não permitido fazer e em que situações. Em muitos casos, parece haver certa permissividade onde os pais, na ânsia de minimizar a culpa que sentem por não serem tão presentes na vida de seus filhos, negligenciam quanto aos limites necessários para haver convivência saudável no âmbito da sociedade.

Numa comparação das escolas públicas e particulares, os professores da rede particular mencionaram que os alunos, por possuírem maior poder aquisitivo e ter acesso a um leque maior de atividades físicas diferenciadas, necessitam de maior motivação para participar das aulas de Educação Física, em vista de esta ser realizada em turno inverso, as crianças já chegam cansadas para as atividades. Há relatos, também, de preocupações exageradas por parte dos pais e um “dengo” maior das crianças que “choram por qualquer coisa” (expressões usadas por um dos entrevistados). Por outro lado, na escola pública, os alunos anseiam à hora da Educação Física preferindo a parte esportiva; porém demonstram maior agressividade e descontrole emocional. Em se tratando de família, é precária a participação nas atividades das escolas públicas, o que é muito preocupante, pois a educação não se dá apenas na escola, mas na parceria entre escola e casa, ou melhor dito, entre o público e o privado. Porém, tanto na rede pública, quanto na particular, há a presença de atitudes negativas dos alunos, como a falta de respeito, que é a maior queixa dos educadores.

Outra situação bastante citada é o cansaço físico do professor, principalmente, porque precisa demonstrar os exercícios, ficar de pé por longos períodos e dependendo do ambiente em que está ministrando aula precisa falar em voz alta, por exemplo, em ambientes abertos ou ginásios.

A falta de material e de infraestrutura colabora na propagação das situações estressoras, como, por exemplo, o fato de o professor preparar uma aula e deparar-se com obstáculos que impedem a realização do plano obrigando-o a improvisar. A própria distribuição irregular de períodos dificulta o trabalho docente, pois em algumas escolas há apenas um período de Educação Física por semana, o que está muito aquém do necessário.

A falta de estrutura familiar e a “abertura” das aulas de Educação Física contribuem para que o professor não desempenhe apenas seu papel como educador, mas, também, de amigo e confidente dos alunos, sendo muitas vezes o intermediador de conflitos de natureza escolar, familiar e social. Por outro lado, se o profissional não estiver preparado para lidar com tais situações, estas podem se tornar um potencial fator estressor.

Também, foi citada, na pesquisa, a falta de preparação da escola e dos próprios professores para atender alunos com deficiência. Em outras palavras a falta de capacitação para lidar com a inclusão social dos educandos, acaba fazendo com que o desenvolvimento dos mesmos seja afetado, o que contribui para o aumento de situações de estresse do professor.

Questionados sobre o a interferência do estresse em suas vidas, 2 dos professores relataram que a Educação Física escolar em si não os preocupa, no sentido de levar pra casa o estresse, mas sim quando se trata de competições extraescolares em que há uma maior cobrança por resultados.

E se já não bastasse tantos desafios, os profissionais se defrontam com situações cada vez mais freqüentes de desvalorização por parte da sociedade, inclusive pelas políticas públicas que interferem nos seus direitos, na autonomia e tiram a autoridade como professor. “Na própria aula, dependendo da situação, o professor não pode chamar a atenção de um aluno indisciplinado, pois corre o risco de responder a um processo judicial”. (relato de um dos entrevistados).

Apesar de todas as situações adversas citadas não é possível afirmar que o estresse propriamente dito se manifestará, pois o que vai determinar se o profissional irá ou não desenvolvê-lo é a maneira como ele age diante dos fatores determinantes.

3.2. Como os professores agem diante de situações de estresse

Numa comparação por tempo de serviço, a maioria dos professores com mais de 10 anos de profissão demonstra que a experiência está diretamente ligada com a forma de lidar com as situações estressoras buscando resolver os conflitos na escola e relataram que no passado estressavam-se mais.

Não existe um consenso na literatura sobre a correlação ou não entre faixa etária e a Síndrome de Burnout. Entretanto, sabe-se que não é exclusivamente a idade que determina a propensão ou não à doença, fatores como tempo de experiência na profissão, o amadurecimento pessoal e personalidade afetam diretamente esta relação. [VALÉRIO, AMORIM E MOSER, 2009]

Porém, como o “nível” de estresse depende da atitude da pessoa em relação ao fator causador deste, há 2 casos em que professores com mais de 15 anos de profissão que, mesmo com experiência, se encontram em estágios avançados da doença e fazendo o uso de medicamentos.

Analisando, sem generalizar, a diferenças entre os sexos na forma de lidar com o estresse, percebeu-se uma personalidade mais forte entre os profissionais do sexo masculino, o que pode converter-se em atitudes mais firmes diante das situações estressoras. Por outro lado, através dos relatos das professoras percebeu-se certa propensão ao diálogo, a sensibilidade para com os problemas dos alunos. Em ambos os casos, as tentativas de controle do estresse são válidas, desde que haja um equilíbrio.

Algumas ações como dar espaço sempre ao diálogo, estar atento à disciplina, compreender o aluno e respeitar suas limitações, ter motivação para a aula, oferecer um leque maior de atividades, saber ouvir, se utilizar do fato de o professor ser como um ídolo para as crianças, são exemplos que os professores citaram como alternativas utilizadas para amenizar a probabilidade de acontecer o estresse. Sabe-se que a prática regular de atividades físicas auxilia na prevenção desse mal (Valério, Amorim e Moser, 2009), e os professores de Educação Física são privilegiados, pois a grande maioria, além de seu trabalho, pratica alguma atividade física por prazer.

4. Considerações finais

Ao analisar os dados da pesquisa, é possível afirmar que o objetivo proposto foi alcançado pois identificau-se que a maior parte dos professores de Educação Física da cidade de Sarandi/RS apresenta características de estresse profissional, porém apesar dos determinantes estarem presentes no cotidiano, os profissionais estão munidos de recursos para melhor agir diante de determinadas situações estressoras. Saber lidar com o estresse é fundamental, para que este não evolua para síndromes que exijam intervenção profissional e medicamentosa.

Há evidências de que boa parte dos entrevistados está com o Stress Ideal, ou seja, o profissional está sabendo manejar o estresse e gerenciar a “fase de alerta” de modo eficiente, alternando entre estar e sair da mesma (LIPP, 2010).

Um caminho ou alternativa apontada para que os professores não adoeçam, recai sobre a prevenção. Na medida em que estes são preparados desde sua formação e estiverem conscientes de seu trabalho, dos riscos que correm e das dificuldades que deverão enfrentar, o estresse poderá ser evitado ou se isso não for possível pelo menos o confronto com o mesmo será mais fácil e menos penoso.

Um trabalho em conjunto com toda a comunidade escolar poderá ser muito benéfico no sentido de melhorar as atitudes dos alunos envolvendo-os em projetos que visem à recuperação dos valores perdidos na sociedade, pois mudar todo um sistema social não é nada fácil, porém acredita-se que é na escola que se pode dar início às ações concretas. As famílias também deverão ser incluídas nesse processo, pois são elas as primeiras escolas da vida.

Embora não seja possível eliminar de forma definitiva todos os fatores causadores do estresse, há a probabilidade de alguns determinantes como a personalidade e a autoestima, que são características internas do sujeito, interfiram para a ocorrência ou não do mesmo.
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A intenção não é de generalizar os fatos, nem de afirmar que determinada categoria é ou não mais estressada, mas sim alertar para o problema iminente que coroe toda a sociedade. É importante a continuação de estudos sobre o problema, considerado o mal do século, que atinge as mais variadas profissões.

Um profissional atualizado, que gosta do que faz e busca sempre novas formas de cativar os alunos tem menos chances de adoecer. A própria profissão instiga o professor ao movimento e, deixar-se levar pela agitação, é uma forma natural e saudável de blindar-se contra o estresse. Para as pessoas que sofrem com este mal, recomenda-se, como um complemento ao seu tratamento, a prática de atividades físicas regularmente, sempre sob orientação de um profissional.

Fonte

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