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Estudo: Olimpíada não combate sedentarismo






A chama olímpica tem vida breve nos corações e mentes da maioria das bilhões de pessoas que acompanham com paixão os Jogos. Uma análise global da atividade física durante o chamado ciclo olímpico — período de quatro anos entre os Jogos — revelou que o mundo permanece arraigado ao sedentarismo, de Londres em 2012 ao Rio de 2016.

Tanta imobilidade custa US$ 67,5 bilhões por ano apenas no combate de cinco doenças, numa estimativa otimista. No Brasil, o custo é de R$ 3 bilhões. Os pesquisadores analisaram relatórios feitos pelos governos de 146 países sobre a relação entre as respectivas populações e atividades físicas. Constataram que não houve progresso. E só dois países, Finlândia e Canadá, têm programas de atividade física com resultados concretos.

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Dinheiro, dor e sofrimento poderiam ser poupados se as pessoas andassem ou pedalassem mais para o trabalho, destacam os autores da análise. Sedentário no estudo não é quem não faz esportes. Mas as pessoas que não têm pelo menos 150 minutos por semana de atividade física moderada, o que inclui caminhadas e pedaladas em distâncias triviais, como ir até uma estação de trem ou ao ponto de ônibus.

EMPOLGAÇÃO FUGAZ

As cinco doenças — diabetes tipo 2, doença coronariana, acidente vascular cerebral e cânceres de mama e cólon — são os principais males associados à vida sedentária. Mas não os únicos. O sedentarismo virou ele próprio doença e é tratado como epidemia pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Os dados fazem parte de uma série especial sobre atividade física global publicada pela revista médica britânica "The Lancet", uma das mais respeitadas do mundo. À frente da série, o professor de saúde pública da Universidade Federal de Pelotas (RS), Pedro Hallal.

— Empolgação olímpica dura pouco, se extingue em dias. Não aumenta a atividade nem nas cidades sede dos Jogos se não houver ações concretas de estímulo para alimentá-la — afirma ele.

— Nos últimos quatro anos, a maioria dos países começou a monitorar os progressos obtidos na atividade física, mas as evidências de melhora são escassas. Se a população global fosse mais ativa, poderíamos ter 300 mil casos anuais a menos de demência, por exemplo — lamenta um dos autores do trabalho, Jim Sallis, da Universidade da Califórnia em San Diego.

Noventa por cento dos países têm planos formais. E 70% declararam ter oferecido financiamento e colocado ideias em prática.

— No Brasil, o Ministério da Saúde deveria ser chamado de Ministério da Doença. Não se investe em prevenção, apenas em tratamento. Os programas criados são pontuais e não tiveram continuidade — destaca Hallal.

A Finlândia investiu em infraestrutura. O Canadá na promoção da educação física nas escolas de ensino fundamental e médio. Hallal frisa que as duas coisas são necessárias.

— Atividade física é muito mais do que esporte. Quem mais sofre com inatividade é a população mais pobre, em especial as mulheres e os mais velhos, mas nem os jovens estão a salvo. No Brasil e no resto do mundo, assustadores 80% dos adolescentes não têm o mínimo de atividade física semanal — ressalta Hallal.

Essenciais, segundo ele, é oferecer calçadas e ciclovias; estabelecer medidas que estimulem a atividade e restrinjam o uso de carros; ter em todos os bairros as chamadas academias populares.

— O Rio e alguns outros municípios têm essas academias, mas precisamos de muito mais. As empresas também têm a parte delas a fazer: deveriam oferecer vestiários com chuveiros e bicicletários para que os funcionários possam ir a pé ou de bicicleta para o trabalho — diz o cientista.

MEDIDAS EM PROL DO EXERCÍCIO

Para estimular a população a manter um nível mínimo de atividade física, os pesquisadores propõem as seguintes medidas:

- Valorização das calçadas. A falta ou má conservação desses espaços é um dos maiores obstáculos para a caminhada e a corrida.

- Construção de ciclovias e bicicletários.

- Oferta de vestiários com chuveiros nos locais de trabalho.

- Academias populares em todos os bairros e comunidades.

- Mudar o currículo de educação física no ensino fundamental e médio, com aumento da frequência e da qualidade.

- Fechamento de ruas nos fins de semana para a prática de lazer. Inclusive as do Centro da cidade, como acontece em Bogotá.

- Redução e estreitamento das faixas para carros e aumento daquelas destinadas a pedestres e ciclistas.

- Estabelecimento de pedágios caros no Centro da cidade, como em Londres.

- Aumento da distância entre as estações de BRTs para estimular a caminhada, como foi realizado com sucesso em Curitiba.

- Oferecer segurança para que a população possa se apropriar das ruas.

Fonte

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Sobre - Educação Físicaa

Professora de Educação Fisica, pós-graduada em Treinamento Desportivo e que tem atuação em Educação Fisica Escolar, Avaliação Fisica e Personal Trainer. Twitter: @educacaofisicaa
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