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Concentração e rendimento: a visão da Psicologia do Esporte







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A Psicologia do Esporte é uma área que vem ganhando maior visibilidade e importância dentro da preparação de atletas de alto rendimento. Está sendo dada ênfase cada vez maior à melhora das dimensões física, técnica e tática e existem cada vez mais recursos disponíveis para que os atletas cheguem às competições muito bem preparados. Essa configuração, porém, pode aumentar a pressão interna e externa pela busca do resultado, contribuindo para que o fator psicológico possa ser determinante no desempenho final. O campeão será aquele que conseguir aplicar suas habilidades no lugar certo, na hora certa e com maior destreza, empregando as potencialidades desenvolvidas nos treinamentos no momento da competição, buscando controlar os fatores que podem interferir na performance.

Dessa forma, no esporte de alto nível, o trabalho psicológico terá como objetivo contribuir para o desenvolvimento psicológico, a saúde e o bem-estar dos praticantes em treinos e competições, dando condições ao atleta para lidar com as situações que podem interferir no seu rendimento esportivo e intervindo com os demais participantes desse contexto (treinadores, outros atletas, comissão técnica, entre outros) quando necessário.

Uma das habilidades psicológicas necessárias para um atleta de alto rendimento é a capacidade de concentração, já que esse indivíduo está exposto a diversos fatores que podem tirar sua atenção, tanto em treinos quanto em competições. Nos treinamentos, alguns atletas têm dificuldade para deixar questões pessoais e familiares fora da pista, assim como questões de relacionamento interpessoal entre os próprios companheiros de treino. Nesse caso, a falta de concentração pode contribuir para que o exercício seja executado de forma automática, sem a atenção necessária, pelo fato dos pensamentos estarem direcionados para essas questões externas.

Essa situação pode se tornar um fator de risco ao contribuir para o aumento da vulnerabilidade do atleta às distrações capazes de interferir no seu rendimento (quando o atleta não executa o exercício com precisão) ou até mesmo de provocar lesões. Esses fatores recebem o nome de "estímulos flutuantes" e, apesar de estarem "flutuando" nos pensamentos dos atletas, devem ser controlados para não se tornarem o foco da atenção durante os treinamentos.

Em situações de competição esses "estímulos flutuantes" podem exercer ainda maior influência, já que os fatores de distração podem ser muito mais poderosos, como o adversário apontado como favorito na prova, as pessoas na torcida (familiares, treinadores, demais atletas e dirigentes, patrocinadores, mídia, etc) e o mais poderoso de todos: a cobrança interna do competidor. Nesses momentos, é frequente que os pensamentos relacionados ao resultado final e à necessidade de ganhar ou de fazer uma marca específica se tornem o foco de concentração do atleta, que, em consequência, não consegue se concentrar nos elementos que realmente contribuirão para que obtenha bom desempenho.

Os aspectos relacionados à tarefa a ser executada e que contribuirão para o atleta ter ótimo desempenho e realizar o movimento com perfeição do início da preparação para a prova (ida para o local de competição, aquecimento, rotinas pré-competitivas, etc) até sua conclusão, são chamados de "estímulos dominantes". São eles que, ao se tornarem o foco da atenção do atleta, vão garantir que execute com precisão a tarefa - no caso do atletismo, a corrida ou marcha, o salto, o lançamento ou o arremesso -, garantindo que o resultado final almejado seja obtido.

Em outras palavras, na hora da preparação para a competição o atleta não pode pensar apenas no resultado que quer conquistar. Seu foco deve estar direcionado para o que deve fazer - e o que já fez - para realizar uma boa prova, o que inclui a preparação física, técnica, tática e psicológica. Imaginar a "prova perfeita" e repassar o passo a passo que levará à reprodução dessa visualização na hora da competição podem ser estratégias eficazes se forem treinadas e acompanhadas de um trabalho de preparação psicológica que possibilitará o controle emocional necessário na hora da competição.

Se a meta estabelecida for realista e as etapas anteriores de treinamento tiverem sido cumpridas, é possível afirmar que se o esportista conseguir colocar tudo isso em prática com precisão, com o foco de concentração direcionado a cada etapa da prova, o resultado virá como consequência. Não adianta estar na saída de bloco com a cabeça na linha de chegada, ou na entrada do setor com o pensamento no meio do campo, quando o lançamento for marcado. Há uma prova a ser executada e o atleta tem de entrar na competição sabendo o que tem de fazer e se sentindo preparado para colocar isso em prática.

Por isso, invistam no treinamento em primeiro lugar, para que a credibilidade no processo bem feito auxilie na confiança necessária na hora da competição. E lembrem-se sempre: concentrar-se no processo é estar mais próximo do resultado final desejado.


Dra. Simone Meyer Sanches

Retirado daqui

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