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A percepção nos esportes coletivos






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Em psicologia, neurociência e ciências cognitivas, percepção é a função cerebral que atribui significado a estímulos sensoriais, a partir de histórico de vivências passadas. Através da percepção um indivíduo organiza e interpreta as suas impressões sensoriais para atribuir significado ao seu meio. Consiste na aquisição, interpretação, seleção e organização das informações obtidas pelos sentidos. A percepção pode ser estudada do ponto de vista estritamente biológico ou fisiológico, envolvendo estímulos elétricos evocados pelos estímulos nos órgãos dos sentidos. Do ponto de vista psicológico ou cognitivo, a percepção envolve também os processos mentais, a mémória e outros aspectos que podem influenciar na interpretação dos dados percebidos.

Segundo Samulski(2002), quatro são as tarefas específicas que a percepção visual deve cumprir nos esportes em geral:

A formação de uma base para a orientação: pré-requisito para qualquer ação é a formação de uma imagem mental e uma atualização sobre o objetivo e o decorrer do
próprio movimento.

O controle visual do próprio movimento: a complexidade das ações nos esportes (principalmente os coletivos) torna impossível predeterminar de forma rígida todos os
movimentos a serem realizados. Sem o controle visual apresentam-se dificuldades no controle do movimento (Daugs e Blischke 1993). A direção do olhar determina a direção e o objetivo do próprio movimento (olhar para o gol no momento do chute no beach soccer) e serve como forma de controle da condução do movimento.

Antecipação do movimento externo (colega, adversário, bola etc.): por meio da percepção, recebemos informações que são pré-requisitos para "antecipar o movimento
externo". A qualidade da antecipação depende da experiência do atleta e da sua forma de perceber. Quando determinados fatos acontecem com certa freqüência, o atleta desenvolve uma estratégia de percepção que lhe permite reduzir os passos no processo cognitivo de elaboração de informação.

Isso significa que a decisão do indivíduo na tarefa motora, identificada na prática do movimento tático, depende do seu estágio de conhecimento tático e técnico, do seu
potencial físico, do seu estado psicológico além de outros fatores envolvidos no momento de concretizar a ação.

Os processos de percepção, noção de profundidade e noção temporal vão interagir, enviando e trocando informação. Por exemplo, o atleta de beach soccer, handebol, basquete, ou futebol que recebe a bola no engajamento deve saber onde está posicionado, a qual distância do gol, a que distância se encontra o adversário mais próximo e decidir se é possível o passe ou se é melhor fazer um drible.

Sobre a orientação do atleta na situação de jogo, esta solicita desde a permanente percepção do ambiente externo até a própria atividade na sua interação com a
situação de jogo e os objetivos traçados para a competição. Sendo assim, uma das características da percepção está na qualidade do campo visual, que depende principalmente da amplitude do olhar e da capacidade de visão periférica do atleta. Outro aspecto específico sobre a percepção identificada na prática de esportes
coletivos é a constante mudança dos conteúdos da percepção que dependem da variabilidade na situação de jogo. Novos estímulos são recebidos e analisados, portanto é
necessária a redução de informação por meio de mecanismos como a atenção seletiva.

Uma outra exigência está na necessidade de precisão da percepção, que é colocada no cálculo do vôo de uma bola, o que ocorre às vezes em condições de pressão (ação do adversário, vento, efeito, velocidade etc.), bem como a análise dos possíveis dribles e fintas do colega ou adversário.

Assim, as ações que os atletas desenvolvem nos esportes coletivos se apresentam em condições de pressão de tempo. O tempo existente para se tomar uma decisão é muito curto, principalmente nos jogos coletivos. A experiência e o conhecimento tático podem ajudar no processo de percepção possibilitando que mesmo em situações de
cansaço ou de elevada carga física ou psíquica. A percepção pode ser melhorada pela aquisição de conhecimento, conforme o processo de aprendizagem.


2. PROCESSO DE APRENDIZAGEM

A percepção subjetiva e a avaliação da situação de jogo não coincidem sempre com a realidade. Muitos atletas, às vezes, tomam decisões sem analisar a situação de jogo,
ou se deixam influenciar pelas impressões momentâneas da ação. Isso se dá pela falta de planejamento adequado do processo de ensino aprendizagem, treinamento, que não contempla um desenvolvimento sistemático da percepção e da tomada de decisão.

Por isso, este estudo propõe um método, apreciado pela maioria dos educadores, como o melhor para se desenvolver a capacidade do jogo e a consciência tática, visto que
ele abrange seis estágios de aprendizagem, demonstrados a seguir, facilitando assim a compreensão por parte dos alunos na iniciação ao esporte coletivo. O método de Bunker e Thorpe.

O método de Bunker e Thorpe (1982) consiste em seis etapas:

1. Jogo: nesta etapa é apresentada aos alunos uma variedade de jogos, de acordo com a idade e experiência;
2. Apreciação do jogo: os alunos devem entender as regras dos jogos, o fato de elas darem ao jogo a sua forma, por imposição de tempo, espaço, pontuação e habilidades exigidas;
3. Consciência Tática: maneiras e meios de criar e negar espaços;
4. Tomada de decisões: o reconhecimento de pistas e previsões de possíveis resultados é de suma importância para a tomada de decisões durante os jogos;
5. Execução das habilidades: a real produção do movimento pretendido, tendo em mente o presente nível de habilidade do aluno e suas limitações;
6. Desempenho: resultado observado dos processos anteriores, medidos sob critérios que são independentes do aluno.

Ao utilizar o modelo de Bunker e Thorpe (1982), o professor deverá conscientizar seus alunos de que fatores tais como a segurança nas áreas em que a atividade acontece, o
uso e posse do espaço, o estabelecimento de regras e métodos de registro de pontuação, a participação de maneira justa e a submissão às regras são importantes durante a realização do jogo.

Cabe ressaltar que o objetivo principal é a iniciação aos jogos esportivos coletivos, nos quais acontecem os primeiros contatos das crianças e adolescentes com as
atividades esportivas.

Para se desenvolver um processo de ensino-aprendizagem-treinamento planejado e sistemático da capacidade perceptiva, é necessário, primeiramente, delimitar
claramente quais são os sinais relevantes em cada ação. Nesse caso, as pesquisas com peritos e iniciantes convertem-se em pré-requisito importante para posterior elaboração dos modelos de treinamento. A observação do comportamento do atleta no treinamento é um fator fundamental para que, com uma conversa informativa, possam ser determinadas possíveis falhas na percepção. O comportamento do atleta na competição apóia-se nas suas capacidades cognitivas.
Nem sempre a percepção subjetiva corresponde à realidade objetiva, mesmo quando a pessoa pensa que é assim. Esses processos são constitutivos de toda pessoa que percebe, atua e se comporta. Dentro dos problemas da percepção em esportes, podemos destacar os seguintes:

A expectativa : em geral se vê o que se esperava ver. Isso é um fator que influencia a percepção, por isso, às vezes a realidade subjetiva não coincide com a realidade objetiva, ou seja, em alguns atletas a expectativa é mais forte do que a cognição.

A quantidade de informações provenientes do meio ambiente: essa dificuldade supera a capacidade de assimilação do organismo. Portanto as informações devem ser  selecionadas, o que exige um adequado processo de ensino-aprendizagem-treinamento dos sinais releva ntes em situação de jogo.

Nos esportes a participação da percepção pode ser observada nos processos de tomada de decisão que implicam na utilização de uma técnica determinada, após uma
análise tática, onde, durante um jogo os processos de tomada de decisão são conduzidos pelos jogadores sob sua própria responsabilidade e, nessa situação, refletem sua capacidade tática individual, a qual se apóia na correta percepção da realidade objetiva.


3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Assim, o desenvolvimento da capacidade da percepção, recordação, reconhecimento, pensamento, tomada de decisão, são fundamentais para a melhoria do rendimento técnico-tático. A capacidade de percepção, considerada como um processo de recepção e elaboração de informação, relacionada com o meio ambiente situacional, é fundamental para a orientação, controle e avaliação do próprio movimento.

Por tanto, podemos observar que a percepção não é uma descrição passiva do meio ambiente e sim um processo psicológico ativo e dinâmico da elaboração de estímulos
provenientes do meio ambiente e das experiências acumuladas e arquivadas na memória. Após a revisão de literatura sobre capacidade do jogo, consciência tática e ensino dos esportes coletivos pode-se considerar que é extremamente importante que as crianças comecem a compreender o jogo e ter consciência sobre a tática do mesmo em sua iniciação esportiva, pois assim ela terá uma base mais sólida para dar continuidade a sua vida esportiva ou até mesmo para resolver situações problemas de seu dia-a-dia.

REFERÊNCIAS

SAMULSKI, Dietmar Martin. Psicologia do esporte: manual para educação física, psicologia e fisioterapia. São Paulo: Manole, 2002.
FEIJÓ, O. G. Psicologia do Esporte e no Esporte. In RUBIO, K. (org.). Encontros e desencontros: descobrindo a Psicologia do Esporte. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000.
GRECO, P.; CHAGAS, M. H. : Considerações teóricas da tática nos jogos esportivos coletivos. In. Revista paulista de educação física. São Paulo. Brasil. Ano 1992; V. 6, n 2 p. 47-58. 1992.
GRECO, Juan Pablo. Iniciação esportiva universal. Vol.I. Belo Horizonte: UFMG, 1999.
GRECO, Juan Pablo. Iniciação esportiva universal. Vol.II. Belo Horizonte: UFMG, 1999.
BUNKER, D.; THORPE, R. A model for the teaching of games in secondary schools. Bulletin of Physical Education 1982, vol. 18, No. 1, p. 5-8.

AUTORES:
Luiz Ricardo Mendes de Sousa Silva, Ms.Cristianne Almeida Carvalho - Universidade Federal do Maranhão

Contato: ricardinho-ms@hotmail.com

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